Ler, que prazer! A leitura é mãe da imaginação. Cada letra é uma gota de água fresca que bebemos com a visão. Ler, que prazer! Ler é saber viver É viver aventuras sem nada fazer. Ler, que prazer! Ler é sonhar sem fechar os olhos É absorver as letras que nos livros estão aos molhos. Ler, que prazer! Ler é aprender Ler é imaginar Ler é sonhar. Poema do Vasco, num trabalho de casa sobre «Ler, que prazer!».
Estrondo no quarto. Avô: que foi isso? Filha (à rasca): foi o mano, foi o mano. Avô: Vera, não se faz queixa... Filha: avô (pausa) eu nem sei o que é queixa... E lá foi à vida dela.
Não sei se me ria ou se chore - prenda do dia do Pai da Vera ♥ O meu pai chama-se Gustavo. É alto e tem cabelos compridos. Veste a Vera e brinca com as bonecas. O pai gosta de comer couves.
Domingo de manhã. Mãe no trabalho. Pai em casa a dar banho às crianças. Filho (enquanto brincava na banheira): Pai, tens sorte que já não estamos no Estado Novo. Pai: pois é... Mas porquê? Filho: senão estavas tu a trabalhar e a mãe aqui em casa connosco...
O meu pequeno e adorável Nerudinha.... "Mais uma vez a EB1/JI de São Pedro participou no concurso “Faça lá um poema!”, promovido pela BECRE da EB2/3 D. Fernand o II. Parabéns ao vencedor deste ano – aluno Vasco Carneiro – 1º ano" Ambiente, meu rei Um dois, lixo em cima… Três, quatro, lixo em baixo… Com tanto lixo, não se rima. Com tanto lixo, não relaxo. É preciso limpar, limpar De cima a baixo – É hora certa! E depois não mais voltar A sujar nosso planeta. Vasco Carneiro
Mãe: que letra é esta? Filha: é um A. Mãe: Boa, muito bem!!! E esta? Filha: um E. Mãe: Boaaaa! Que linda! E esta? Filha: ... Mãe: É um... um... O. Filha: Boa, mãe! És muita linda!!!
Poema do meu filho, de 9 anos, sobre a História de Portugal. A CANÇÃO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL De Vasco Carneiro Em 1143 nasceu a nossa Nação Vais ouvir a sua história Presta atenção. Antes era só um condado Ainda não se tocava Fado Mas D. Afonso Henriques tanto lutou E um País ele criou. E Portugal sempre a crescer E as fronteiras se definiram Quando o Rei foi ver a esposa Da sua saia rosas surgiram. E quando o Rei morreu Uma crise aconteceu Mas aqui em Aljubarrota Não há nenhuma derrota. Dá-lhe na tola com a pá Descobre terras acolá Colonizou-se as ilhas Assinou-se o Tratado de Tordesilhas. E D. Sebastião morreu Ficou D. Henrique a reinar Dois anos depois faleceu Estava uma crise a começar. Ficaram os espanhóis a reinar Mas ganhou Portugal Dia 1 de Dezembro É feriado nacional. E houve um terramoto E Lisboa se destruiu Mas o Marquês de Pombal A capital reconstruiu. Os franceses nos invadiram A Corte fugiu para o Brasil E tornou-se independente D. Pedro IV...
Professora: Vasco, esqueceste-te outra vez do livro? Vasco: sim... Mas a culpa não é minha. O meu pai no outro dia perdeu o cartão multibanco e a minha mãe está sempre a perder as chaves... É genético.
Pai: Vera, dá cá a chucha... Filha: não, pai, eu xou pacanina... (...) Filha: óia, mãe, está acendido. Mãe: não é acendido, Vera, é aceso. Filha: não conxigo djer ixo, mãe, xou pacanina. (...) Pai: então, Vera, saíste da cama sozinha? Filha: xim, eu conxigo, xou muita caxida...
Avô (à porta da escola): então, não te esqueceste de nada? Filho: sim, do casaco. Avô: então e agora? Filho: ah, deixei lá a mochila, quando fui buscar o casaco... (...) Pai: então saíram as notas? Filho: sim. Pai: e são boas? Filho: devem ser. Pai: não sabes? Filho: estão afixadas num sítio qualquer...
Mãe, a pôr a filha na cama: adeus, Vera, até amanhã. Filha: eu quero tu, fica aqui. Mãe: não filha, está aqui o mano, e a mãe vai para a sala com o pai. Filha: olha, mãe, diz adeus ao pai. Tu agora estavas muita zangada com o pai e ficavas aqui comigo, ok?
Mãe: sabes quantos anos fez o primo? Filha: não. Mãe: sete! Filha: eu tenho «tarês». Mãe: e a prima Maria, sabes quantos fez? Dois! Filha: dois? O pai também tem dois!
Filho: pai, o avô ficou chateado por eu não ter tido 100% a Matemática? Pai: não, o avô só fica triste se tu falhares coisas porque estavas distraído, mas não foi isso que aconteceu, pois não? Filho: ....
Ontem, quando bebia o café em frente à televisão, de manhã cedo, preparando-me para sair para uma reunião, vi que o Fidel tinha morrido. Não consegui evitar uma lágrima. O meu filho, ao ver a cena, perguntou se estava triste e porquê. Expliquei-lhe que tinha morrido um herói, um camarada, de certa forma um amigo. Deu-me um grande abraço de consolo.
Mãe: larga isso [um ferro ferrugento] que te magoas. Filha: é uma espada, mãe. Mãe: está bem, mas larga que te aleijas. Filha: mãe, eu xou um capitão, p'chebes?
Filha: hoje na escola «mormi» (dormi) sem chucha. Pai: a sério, porquê? Filha: a Sofia (educadora) zangou. Pai: porquê? Filha: num xei. Pai: não sabes? Portaste-te mal, foi? Filha: nããããããããão... Eu xou linda!
Aquele momento em que o puto usa os nossos argumentos para se safar... Pai: então, o teste correu bem? Filho: sim, acertei umas e errei outras. Pai: então mas o que é que erraste? Filho: sabes, pai, às vezes é com os erros que mais se aprende...
Filha: pai, vamos no carro das "pexoas"? Pai: sim, filha... Filha: elas "empestam"? Pai: sim. Filha: são muita lindas... Explicação: carro na oficina por culpa alheia e andamos agora com um carro de substituição. Ou seja, as «pessoas» «emprestaram-nos» um carro porque são «muita lindas»...
Pai: então filha, foste ao parque com os amigos da escola? Filha: xim. Pai: e o que é que fizeste? Filha: brinquei, vi os patos e fugi... e a Sofia (educadora) chamou...
Filho: que estás a fazer? Pai: a escolher roupa, que hoje tenho que ir um bocado mais arranjado do que é costume... Filho: pai, tens que te aceitar como és...
Filha: a Leonor tem um «pintaranha». Pai: um quê? Filha: um «pin-ta-ra-nha». Pai: um pintaranha? Filha: sim!!!!! Ainda hoje não sei de que raio estaria ela a falar...
Filha a tentar aprender os géneros... 1) Pai, óia, eu xou a rainha e tu és o rainho, ok? 2) Mano, tu és o super-herói e eu sou a super-heróia. 3) A mãe é uma pessoa, o pai é um pessoo. 4) pai, eu sou filha da mãe. O mano é filho da mãe... 5) o mano não é uma criança, é um crianço (pronuncia-se «quirança» e «quiranço»)
Filha: pai, jenha (desenha) o Onati. Pai, a desenhar o Pato Donald: pronto, já está, o "Onati". Filha: não é Onáti, pai, é O-NA-TI. Pai: pronto, Donald. Filha: isso, Onati, boa.
Filha, para o pai que dormia na praia: pai, estás bem?... Pai, estremunhado: sim, estou... Filha: estás com frio? Pai: hã? Não... Filha: então anda para o mar...
(discussão ao fundo entre os irmãos sobre quem era o próximo a ver televisão) Filha, a chorar para os pais: eu quero ver «mecos»... Mãe: mas não acabaste de ver agora? Filha: sim! Mãe: então agora é o mano. É um a cada um. Filha (com ar resignado): está bem... Filha, a correr para o irmão: mano, sou eu, a mãe disse!!!!
Filha, a berrar, ao ver o irmão com um balão: O balão! Quero o balão! O balããããããoooooo! Aaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh! Dá-me o balão! O balão!!! Filho: Pronto, toma lá o balão. Filho, algum tempo depois (muito calmo): dás-me o balão, Vera? Filha (com ar muito moralista): não tiras o balão à Vera, não não. E não grites! Não se grita, mano, ai ai... Filho: ai ai (suspiro)...
Pai: então, filha, foste à festa com a mãe? Filha: xim. Pai: e o que é que fizeste? Filha: cocó nas cuecas!!! (em rigor, fez muito mais do que isso: andou a cavalo, fez barro, dançou... Contudo, foi assim que me resumiu a festa...)
Filha: gosto de ti, mãe. Gosto de ti, pai. Gosto de ti, mano. Filho: eu também gosto de ti. Filha (sorridente, falando para os pais): ele dixe que gosta de mim!!!
Filha para a mãe: A Vera está contente. Mãe: Porquê? Filha: Num xei. A mãe está contente. O pai está contente. O mano está contente. És linda, mãe. O pai é lindo. O mano é lindo. E pronto, com tanta «lindeza» como não estar contente?...
Pai, ao ver a filha com uma faca de refeição na mão: Vera, não podes mexer nisso, és um bebé. Filha, com ar muito importante: não, a Véia é uma «pachêja» [princesa]. Pai: sim, filha, és uma princesa... Mas também és bebé. Dá cá a faca. Filha, já zangada: não, é "lita" [linda], é "pachêja" e "lita". Pai: sim, filha, és princesa e linda. Mas também és bebé. Filha, subitamente calma e sorridente, estendendo a faca: xim, a Véia é "pachêja», "lita" e bebé.
A minha miúda, que se intitula a si própria, e à mãe, de «pachêja» (princesa), diz que «maninho é fofinho». Já o «papázinho» é «'indo». O que é facto é que consegue sempre o que quer. Sabe muito, a gaiata!
O que um pai sofre... Liguei para a casa da avó, onde o puto está durante as férias, para saber dele, o que estava a fazer, se estava divertido. Ele, depois de me contar o dia, acrescentou: «conheces aquela da mãe galinha? Também há o pai galo.»
Recebi prendas maravilhosas por ocasião do Dia do Pai. A miúda andou a mostrar a toda a gente uma caneta que fez com pasta de papel, pintada por ela: «A Véia fez, o pai é 'indo», lá ia ela repetindo... Ele fez-me um postal, com quatro desenhos representativos de várias realidades: «aqui mostra que nós gostamos um do outro; aqui és tu a brincar comigo; aqui és tu a ralhar comigo, mas por boas razões, para me educares; e neste aqui estás a consolar-me quando estou triste». E é isto. Dá para um gajo não ser tremendamente feliz assim?
Quando o filho sai tão ao pai... Filho (perante o corte de cabelo da mãe): estás ao mesmo nível de beleza. Filho (ao saber que a mãe tirou um sinal da cara): mas eu não me importava com isso...
Filho, há duas semanas depois de uma longa conversa sobre o corpo humano: (...) a bexiga é uma cebola, o pénis uma salsicha e os testículos são tomates. Pai, depois de ver que o filho não se calava com os tomates e a salsicha: pronto, já chega, isso é feio e não se diz. Filho, anteontem: ó pai, se posso chamar maçãs do rosto às bochechas qual é o mal de chamar tomates aos testículos? Pai: ...
Filho, durante a visita ao Jardim Zoológico: "Este é o melhor sábado da minha vida. E vocês são os melhores pais do mundo. Se eu fosse adoptado não ia gostar tanto dos meus novos pais como gosto de vocês." Ressalva: juro que nunca nos passou pela cabeça dar a criança para adopção.
Filho (antes de entrar para o teatro em que participou): pai, não quero ser famoso... Pai: ?... Filho: é uma chatice, ter que assinar cadernos e nunca mais chegar a casa...
Filho: pai, já percebi. Pai: o quê? Filho: afinal os meninos têm pénis e as meninas vaginas. Pai: sim, e... Filho: não percebia porque é que os meninos tinham UMA pilinha e as meninas UM pipi. Pai: ok...
Mãe (vendo a filha a exibir-se com umas cuecas na cabeça, como um chapéu): ai que linda, és mesmo maluca! Filha (abanando a cabeça). Não, o pai. O pai é «mapupo»... É esta a imagem que a minha filha tem de mim!!!!
Há as pessoas competitivas, há as que o não são. E depois, muito depois, há o meu puto... 1) Pai: Boa, puto, estás a ganhar ao pai por 4 a 3. Filho: 7 Pai: 7? 4 a 3 para ti... Filho: pois, 7 para nós. 2) Pai: boa, puto, ganhaste por ippon àquele menino. Filho: foi sem querer, pai, a sério... Ele caiu sozinho.
Filho: pai, o que é um óvulo? Pai: é a semente da mãe... Filho: ah, aquela que anda assim (fazendo gestos de ziguezagues com a mão...)? Pai: não, esse é o espermatozóide, a semente do pai... Filho: e quando se juntam é que fazem os bebés, né?... Pai: sim... Filho: e saem por onde? Pai: pela pilinha... Filho: e como é que vão para a barriga da mãe? Pai: ah... então.... ah... o pai e a mãe... ah... querem ter filhos e... gostam muito um do outro e... ah... ficam assim muito juntinhos e.... Filho: ah, ok... Estou com medo dos próximos dias...
Filho: mãe, nós já mudámos muitas vezes de casa, não foi? Mãe: sim, porquê? Filho: e vamos mudar mais? Mãe: não, agora ficamos aqui. Filho: para sempre? Quando tiver uma noiva ela pode viver cá comigo? Mãe: sim, pode, compramos uma cama maior para o teu quarto, mudamos a mana para o quarto dos pais e nós vamos para o escritório, boa? Filho: sim, boa (com um enorme, imenso, sorriso).
Filho: pai, não quero ir à escola. Pai: porquê, não gostas? Não me digas que não gostas de aprender e que não gostas dos teus amigos... Filho: gosto, mas tenho que fazer o que a professora diz. E eu quero ser livre, ouviste? EU QUERO SER LIVRE!!!!
Filho: pai, sabes, quando havia ricos em Portugal... Pai (interrompendo): Mas há ricos em Portugal... Filho (surpreendido): Mas os Magriços não os mandaram embora? Pai: Sim, mas eles voltaram. Filho: ... (com profunda desilusão)
Filho: Pai, posso contar-te uma história? Pai: Sim, claro. Filho: era uma vez um ladrão (e, especificando, para que o pai percebesse bem a ideia)... um rico... um alemão...